domingo, 27 de janeiro de 2008

Finalmente


Finalmente pude sentir-te.
Ali, comigo.
Senti-te compreensivo como nunca antes acontecera.
Valeu apenas porque finalmente estavas presente.
Não eras só um corpo.
Retribuí o teu sorriso quando tudo o que me apetecia era precisamente o contrário.
Consegui finalmente desfrutar do teu silêncio e do bem que ele me estava a fazer.
Senti compreensão.
Senti como que um abraço a envolver-me quando na realidade eras só tu e o teu silêncio.
Continuamos os dois cabisbaixos como se partilhássemos o mesmo problema.
Como se me estivesses a sentir.
Como se o teu silêncio falasse e me sussurrasse ao ouvido que estavas ali comigo e que não precisaria de mais ninguém.
Era mentira?
Estaria eu a sonhar?
Ou és assim tão bom actor que conseguiste fingir tudo aquilo?
Deste-me alento depois de toda a crueldade com que me trataste.
Foi apenas para te redimires?
Queria tanto que o teu sorriso e o teu silêncio soassem sempre da mesma forma!
Ficou a despedida carinhosa.
Importas-te de repetir?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Inocência e ternura


Ele está outra vez a cantar.
Mas hoje o sentimento é outro.
Hoje sinto que já perdi demasiado ao poder sequer, um dia, acreditar que seria possível.
Mas tu és tão inatingível! Repito isto vezes e vezes sem conta. Espero convencer-me de que é mesmo verdade e que nem as palavras de força e coragem podem mudar algo.
Tu apareces na minha vida e gesticulas a tua presença da maneira que mais te convém.
Não sabes, é certo. Mas podias ao menos fazer uma ideia.
Sou tão passageira não tua vida como qualquer pessoa que se cruze contigo na rua.
Sou tão importante para ti como essas pessoas. Até posso existir mas não altero em nada a tua existência.
Como é possível? Como é possível que tenhas virado a minha vida de pernas para o ar quando tudo estava calmo e que nem te tenhas apercebido disso?
Não sei. E aposto que tu também não. Ou será que sabes tudo aquilo de que te julgo inocente e apenas não queres dizer?
São tantas as perguntas sobre ti para as quais não tenho resposta que já nem ouso tentar encontrar a solução.
Diz-me de uma vez! Diz-me que não me queres não tua vida se é isso que sentes.
Mas, por favor (!), não olhes para mim assim!
O olhar que me descrevem como preocupado, aquele que me faz voltar atrás em toda a minha mudança de rumo.
O que me dá alento mas ao mesmo tempo me ilude. Ilude-me de uma forma tão gigantesca que chego a sonhar acordada. E tu, tu estás sempre lá. Presente nos meus sonhos mais ilusórios. Mas os sonhos são isso mesmo não é? Meras ilusões.
Os meus, provocados por ti.
Mas continuas sem ter culpa e eu continuo sem te poder julgar.
Mas não me olhes assim! Não o faças! Será pedir muito? Nem ouses sequer sorrir-me! Porque o teu sorriso é tão fantasioso como o teu olhar.
És uma fraude, sabias? Não és só o menino inocente que aparecia nos meus sonhos de menina apaixonada. És aquele que me tem provocado as maiores tristezas e o maior desalento.
Mas eu perdoo-te. Só porque sei que mereces melhor. Que mereces alguém tão especial como tu.
Agora, vou contar-te um segredo. No fundo, e contra o que possam pensar, o menino inocente que eu conheço é das melhores pessoas com que alguma vez me cruzei. Mas tu não fazes questão de o mostrar.
Agora, por favor, não olhes para mim assim. Nem me sorrias. Isso não. É só o que te peço. Não me iludas ainda mais. Nem me desiludas.
Deixa-me ficar com a tua inocência e ternura. É tudo o que quero guardar de ti. Tudo o que me resta.
E tu? Algum dia vais querer lembrar-te de mim?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Desculpa


Desculpa-me.
Desculpa-me por todas as vezes que te devia ter sorrido e não o fiz.
Desculpa-me por todas as vezes que te devia ter ouvido e me limitei a ignorar.
Na verdade não sei porque o fiz.
Não era o que realmente queria nem o que realmente merecias.
Porque tu mereces melhor não é?
Tu mereces sempre o melhor.
Mesmo quando tentas que te ouçam e eu, já cansada de te ouvir imploro para que eles te ouçam também e que assim te cales.
Desculpa-me.
Por não ser, nem poder vir a ser a perfeição que precisas e mereces.
Nem me atrevo a contar a alguém que és o motivo das minhas lágrimas.
Nunca me compreenderiam e muito provavelmente ainda me julgariam culpada.
E sou!
É tão verdade!
Continuo a iludir-me mesmo sabendo que nunca será possível.
Tenho cada vez mais a certeza de que nunca irei conseguir.
Mas não há nada que possa fazer não é?
Já nada mais me resta.
E agora?
Queres ser tu a pedir desculpa?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Nada!


Olho á minha volta.
Não encontro nada que indique a tua presença.
Mas eu sinto-te.
Sim, é verdade.
Imagino-te sentado a meu lado enquanto me aconchegas e me enxugas as lágrimas. Choro por ti, bem sabes.
Penso nos poucos momentos que considero bons de lembrar.
São TÃO poucos!
Tenho de revive-los vezes e vezes sem conta.
São o meu consolo quando não estás.
Porque tu nunca estás.
A tua presença continua a ser ilusória.
Muitas das vezes decepcionante.
Mas é contigo que sonho todas as noites.
É por ti que sorrio quando caminho sozinha na rua.
É por ti que me esforço para ser uma melhor pessoa.
E no fim?
O que fazes tu por mim?
NADA!
Rigorosamente nada!
Nem te atreves a olhar-me.
Não me achas digna de tal coisa não é?
Como eu te percebo.
Não te posso julgar por não me olhares.
Às vezes nem eu tenho vontade de o fazer.
Hoje por exemplo.
Ah e ontem.
Julgo que anteontem também.
Por isso não te culpo.
Por vezes dou por mim a olhar para ti e a pensar no quão inocente és.
Mas embora pareça difícil de entender, é isso que gosto em ti.
A tua inocência e pureza.
É isso.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Acreditando


Parece que já passou uma eternidade desde que apareceste.
Foram na realidade meia dúzia de dias. Meia dúzias de complicados dias.
Não sabes como custa ver-te partir e saber que nada de mim parte contigo.
Fico a recordar-te durante todos os minutos restantes. Até alguém me chamar à realidade e eu perceber que não me adianta fazê-lo.
Tenho medo que no final não restem mais do que breves recordações. Porque tudo se transforma em brevidade cada vez que estou contigo.
Sinto-me voltar á inocência.
É isso que mais gosto em ti. Que me transmitas o que de mais puro e inocente tens. Arrumei na minha vida, espaço suficiente para caber a tua. Para caberes tu.
Sinto que foi tempo desperdiçado, mas isso só tu saberás não é? Quem mais pode decidir o nosso futuro senão tu?
Talvez seja injusto passar as decisões para ti e aguardá-las sem nada fazer.
É sim.
Confesso.
Mas se ao menos me desses um sinal…
Aí sim eu saberia o que fazer e lutaria por ti.
Acreditando. Sempre.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Dependo de ti


Consigo sentir os teus passos velozes mesmo atrás de mim.
Ouço a tua respiração ofegante.
Continuo a correr.
Corro sem rumo.
Corro como se fugisse de algo.
Como se fugisse de ti.
O caminho parece não mais ter fim apesar da velocidade com que se multiplicam os meus passos.
Não sei porque fujo.
Não sei do que fujo.
Só sei que não quero que me apanhes nesta corrida e que me passes para segundo lugar como tens feito até agora.
Porque tudo não tem passado de uma corrida não é?
No final, um de nós vai ganhar e outro perderá.
É tão previsível!
No fundo sei que não vai adiantar continuar a correr.
No final, no último instante vais cortar a meta e ter a última palavra.
Dependo de ti.
Da tua escolha.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Sorrisos


A tua imagem ocupa a minha mente.
De uma forma tão insistente que a minha memória começa a falhar.
Por vezes atraiçoa-me de tal forma que falo contigo mesmo sem lá estares.
Chama-me louca!
Apenas me recuso a aceitar que nunca estejas lá.
Que o teu corpo até possa estar mas que TU, tu não.
Estás longe.
Não consigo aproximar-me e segredar-te tudo aquilo que a minha mente esconde mas que ele quer expulsar a toda a força.
Ele, sim, o meu coração que quase me arranca o peito numa dor constante cada vez que não te sinto.
Porque nunca lá estás.
Por vezes surges do nada, sorris e voltas a esconder-te.
Fechas-te na tua carapaçazinha de menino ingénuo.
Não queres crescer e perceber a crueldade do mundo que te rodeia.
Não queres, mas devias.
Porque já não podes esconder-te por muito mais tempo.
Um dia, vais libertar-te, crescer e sorrir.
Sorrir com a mesma sinceridade com que sempre o fizeste.
Mas agora vais lá estar.
E eu, vou poder contar-te os meus segredos mais bem guardados.
Porque quando assim for, finalmente poderei ser eu.
A menina do olhar envergonhado, a que te observa com ternura por detrás da sua inocência e sorri.
Simplesmente sorri.