sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Inocência e ternura


Ele está outra vez a cantar.
Mas hoje o sentimento é outro.
Hoje sinto que já perdi demasiado ao poder sequer, um dia, acreditar que seria possível.
Mas tu és tão inatingível! Repito isto vezes e vezes sem conta. Espero convencer-me de que é mesmo verdade e que nem as palavras de força e coragem podem mudar algo.
Tu apareces na minha vida e gesticulas a tua presença da maneira que mais te convém.
Não sabes, é certo. Mas podias ao menos fazer uma ideia.
Sou tão passageira não tua vida como qualquer pessoa que se cruze contigo na rua.
Sou tão importante para ti como essas pessoas. Até posso existir mas não altero em nada a tua existência.
Como é possível? Como é possível que tenhas virado a minha vida de pernas para o ar quando tudo estava calmo e que nem te tenhas apercebido disso?
Não sei. E aposto que tu também não. Ou será que sabes tudo aquilo de que te julgo inocente e apenas não queres dizer?
São tantas as perguntas sobre ti para as quais não tenho resposta que já nem ouso tentar encontrar a solução.
Diz-me de uma vez! Diz-me que não me queres não tua vida se é isso que sentes.
Mas, por favor (!), não olhes para mim assim!
O olhar que me descrevem como preocupado, aquele que me faz voltar atrás em toda a minha mudança de rumo.
O que me dá alento mas ao mesmo tempo me ilude. Ilude-me de uma forma tão gigantesca que chego a sonhar acordada. E tu, tu estás sempre lá. Presente nos meus sonhos mais ilusórios. Mas os sonhos são isso mesmo não é? Meras ilusões.
Os meus, provocados por ti.
Mas continuas sem ter culpa e eu continuo sem te poder julgar.
Mas não me olhes assim! Não o faças! Será pedir muito? Nem ouses sequer sorrir-me! Porque o teu sorriso é tão fantasioso como o teu olhar.
És uma fraude, sabias? Não és só o menino inocente que aparecia nos meus sonhos de menina apaixonada. És aquele que me tem provocado as maiores tristezas e o maior desalento.
Mas eu perdoo-te. Só porque sei que mereces melhor. Que mereces alguém tão especial como tu.
Agora, vou contar-te um segredo. No fundo, e contra o que possam pensar, o menino inocente que eu conheço é das melhores pessoas com que alguma vez me cruzei. Mas tu não fazes questão de o mostrar.
Agora, por favor, não olhes para mim assim. Nem me sorrias. Isso não. É só o que te peço. Não me iludas ainda mais. Nem me desiludas.
Deixa-me ficar com a tua inocência e ternura. É tudo o que quero guardar de ti. Tudo o que me resta.
E tu? Algum dia vais querer lembrar-te de mim?

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