sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Final feliz


Preciso de ti! Preciso MESMO de ti. São estes os momentos em que gostaria que estivesses aqui comigo, a enxugar-me as lágrimas e a abraçar-me contra o teu peito. Em que me dissesses que estava tudo bem e que mesmo que não estivesse o íamos superar juntos. Que gostava que me olhasses daquela maneira tão tua e me sorrisses. Só para me acalmar enquanto me dizias “Descansa. Está tudo bem. Eu estou aqui.” Mas não estás. Nunca estiveste e não fazes questão de me sorrir nem de me olhar. Acho sempre que te estou a conhecer, depois vens com o teu ar de indiferença e deitas por terra toda a minha esperança e todo o meu orgulho. Arrastas-me contigo. Vivo os teus problemas e vivo-te a ti. Começo a viver submersa no teu mundinho. A esquecer-me, e pior, a desprezar o meu. Não sei já onde estou ou porque tenho errado tanto. Porque me fazes fraquejar, no final sorris e eu fico lá, estendida no chão depois da minha enorme queda e da minha, ainda maior, desilusão. Não consigo levantar-me. Estendo-te a mão, sorris e viras-me as costas. Volto a fraquejar e a chamar por ti. Imploro que não me deixes naquele lugar escuro para onde me arrastas-te. Ignoras-me e vejo-te olhar para aquela rapariga com um sorriso inocente que parece estar perdida também. Exibes um sorriso orgulhoso e aproximaste dela. Tento gritar para que ela fuja. Tento avisá-la que vai acabar no lugar escuro onde me deixaste. Mas ela não me ouve e eu não consigo gritar mais alto. Sinto que a qualquer momento, a minha cabeça vai embater com toda a força no chão. Não posso mais pedir aos meus braços que a suportem. Não me obedecem. Só o faziam perante ti. Lembras-te? As minhas lágrimas deslizam pelo meu rosto e caem lentamente, uma a uma, naquele chão frio e crespo. Tento aconchegar-me enquanto te observo a levar a tua próxima vítima. Mostras-lhe tudo o que de bom possuis. Chamas pelo seu nome com a mesma doçura com que usaste o meu. Antes de me abandonares e me deixares para morrer. Antes de me dizeres que não era nem metade do que eu merecia. Conseguiste com que todos acreditassem que eras o meu apoio em vida. Que estavas a sofrer com a minha fuga para um “lugar melhor” dizias tu. Eles, ingénuos, acreditavam piamente em cada palavra tua. Alguns estavam longe de imaginar que a sua filha, ou neta ou irmã seria a tua próxima vítima. Depois daquela rapariga do sorriso inocente teria de vir alguém. Ainda pude ver, pelos meus olhos semicerrados e já sem força para se abrirem, os meus pais. Estavam lá. Lado a lado a viver-me. A dizer que tinham orgulho da sua menina mas que ela estava num “lugar melhor”. Convenceste-os também. Pude ouvir bem ao longe uma voz muito tímida chamar-me tia e dizer que ia ter saudades. Esgotei a minha última lágrima.
Hoje consegui finalmente abrir os olhos. Com dificuldade, confesso. Algo extremamente brilhante me ofuscava. O chão era macio e tinha uma cor suave. Era-me até familiar. Sentei-me nele e percebi que era uma nuvem. Tentei vislumbrar-te lá em baixo. Mas tudo parecia demasiado pequeno. Queria dizer-te que tinhas razão. Estava de facto num lugar melhor. Podes dizê-lo aos meus pais, se me ouvires? Diz-lhes também que encontrei o Sr. Agostinho e que estou agora a rir-me com ele enquanto me chama “Chiquinha”. E se ainda tiveres tempo aí em baixo, diz-lhes que não percebo o preto. A minha cor favorita sempre foi o azul-bebé. Podes dizer-lhes, por favor?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um bocadinho meu





Mudei completamente.
Fizeste-me mudar.
Principalmente a opinião que tinha sobre ti.
Não és tão inocente como te julgava.
Nem tão alegre.
Nem tão calmo.
Nem tão paciente.
Mas és sempre tu.
Sempre muito tu.
Ás vezes questiono e não sei definir se foi a minha opinião que mudou ou se tu próprio o fizeste.
Já não sorris quando te apetece chorar.
Mas também não choras.
Limitas-te ao silêncio.
E eu, que pareço ser a que pior te conhece, interpreto-te.
Sinto que estás triste e não posso fazer nada.
Nem perguntar o porquê e se precisas de algo.
Se eu perguntasse, contar-me-ias?
Olho sempre para ti com a mesma ternura.
Ás vezes julgam-me por isso.
Por me preocupar demasiado e por fazer da tua vida tão minha.
Mas tu já és um bocadinho meu, não és?
Já me pertences um bocadinho.
Mas tu não sabes. Nem gostarias de saber.
Há coisas que não te posso contar.
Não te posso dizer que estou orgulhosa pelas tuas boas notas. Não te posso dizer que as sei sequer.
Não te posso dizer que não morro de amores pelo teu nome. Não te posso dizer que o sei sequer.
Não te posso dizer que não suporto a tua vozinha. Não te posso dizer que a ouço sequer.
Não te posso dizer que sei o que se passou e que percebo que estejas triste. Não te posso dizer que sei o que se passou sequer.
Já nem te posso ver.
Tomaste proporções que não esperava nem queria.
Ocupaste espaço que não te pertencia e nada fizeste em contrário.
Alguma vez imaginaste que eu estaria a pensar em ti, num dos momentos em que me viste?
Daquela vez ias mesmo dizer-me “Olá”? Ou estavas só a sorrir como de muitas outras vezes?
Sabes o que mais me irrita em ti?
É que mesmo depois de me roubares o sonho, a nuvem colorida, o sorriso, a alegria, o silêncio e o brilho no olhar continuo a gostar de ti como nos tempos em que ainda tinha isso tudo.
Continuo a gostar de ti da mesma forma e com ainda mais intensidade.
É o que mais me irrita em ti.
É o que mais me apaixona e prende a ti.
É seres assim.
Tão tu.
Tão menino.
E tão pouco meu.
Importas-te de ser só um bocadinho mais?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ladrãzinho


Respirei fundo.
Parti.
Quis voar para um lugar desconhecido.
Um lugar onde tu não existisses e não me atormentasses a toda a hora.
Onde a tua imagem estivesse distante.
Até o prazer de te olhar me tiraste.
Roubaste-me cada pedacinho de sonho, de nuvem colorida.
Roubaste-me o sorriso e teimas em não mo devolver.
Guarda-lo contigo e esconde-lo muito bem escondido.
Não sei para que o queres.
Não te chega o teu que raramente usas?
Roubaste-me a alegria.
Roubaste e não queres devolver.
Porque não ficaste silencioso naquele dia como da outra vez?
Como da vez que eu precisava?
Porque teimaste em falar e falar e falar e levar-me pouco a pouco o resto de sorriso que me restava?
É por prazer que o fazes?
Por felicidade?
Até o brilho do olhar me roubaste.
Não tens vergonha, seu ladrãozinho?
Agora, por favor, devolve-me tudo!
O sonho.
A nuvem colorida.
O sorriso.
A alegria.
O silêncio
O brilho no olhar.
E, se não for pedir demasiado, devolve-me a vontade de te ver. Por favor!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Finalmente


Finalmente pude sentir-te.
Ali, comigo.
Senti-te compreensivo como nunca antes acontecera.
Valeu apenas porque finalmente estavas presente.
Não eras só um corpo.
Retribuí o teu sorriso quando tudo o que me apetecia era precisamente o contrário.
Consegui finalmente desfrutar do teu silêncio e do bem que ele me estava a fazer.
Senti compreensão.
Senti como que um abraço a envolver-me quando na realidade eras só tu e o teu silêncio.
Continuamos os dois cabisbaixos como se partilhássemos o mesmo problema.
Como se me estivesses a sentir.
Como se o teu silêncio falasse e me sussurrasse ao ouvido que estavas ali comigo e que não precisaria de mais ninguém.
Era mentira?
Estaria eu a sonhar?
Ou és assim tão bom actor que conseguiste fingir tudo aquilo?
Deste-me alento depois de toda a crueldade com que me trataste.
Foi apenas para te redimires?
Queria tanto que o teu sorriso e o teu silêncio soassem sempre da mesma forma!
Ficou a despedida carinhosa.
Importas-te de repetir?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Inocência e ternura


Ele está outra vez a cantar.
Mas hoje o sentimento é outro.
Hoje sinto que já perdi demasiado ao poder sequer, um dia, acreditar que seria possível.
Mas tu és tão inatingível! Repito isto vezes e vezes sem conta. Espero convencer-me de que é mesmo verdade e que nem as palavras de força e coragem podem mudar algo.
Tu apareces na minha vida e gesticulas a tua presença da maneira que mais te convém.
Não sabes, é certo. Mas podias ao menos fazer uma ideia.
Sou tão passageira não tua vida como qualquer pessoa que se cruze contigo na rua.
Sou tão importante para ti como essas pessoas. Até posso existir mas não altero em nada a tua existência.
Como é possível? Como é possível que tenhas virado a minha vida de pernas para o ar quando tudo estava calmo e que nem te tenhas apercebido disso?
Não sei. E aposto que tu também não. Ou será que sabes tudo aquilo de que te julgo inocente e apenas não queres dizer?
São tantas as perguntas sobre ti para as quais não tenho resposta que já nem ouso tentar encontrar a solução.
Diz-me de uma vez! Diz-me que não me queres não tua vida se é isso que sentes.
Mas, por favor (!), não olhes para mim assim!
O olhar que me descrevem como preocupado, aquele que me faz voltar atrás em toda a minha mudança de rumo.
O que me dá alento mas ao mesmo tempo me ilude. Ilude-me de uma forma tão gigantesca que chego a sonhar acordada. E tu, tu estás sempre lá. Presente nos meus sonhos mais ilusórios. Mas os sonhos são isso mesmo não é? Meras ilusões.
Os meus, provocados por ti.
Mas continuas sem ter culpa e eu continuo sem te poder julgar.
Mas não me olhes assim! Não o faças! Será pedir muito? Nem ouses sequer sorrir-me! Porque o teu sorriso é tão fantasioso como o teu olhar.
És uma fraude, sabias? Não és só o menino inocente que aparecia nos meus sonhos de menina apaixonada. És aquele que me tem provocado as maiores tristezas e o maior desalento.
Mas eu perdoo-te. Só porque sei que mereces melhor. Que mereces alguém tão especial como tu.
Agora, vou contar-te um segredo. No fundo, e contra o que possam pensar, o menino inocente que eu conheço é das melhores pessoas com que alguma vez me cruzei. Mas tu não fazes questão de o mostrar.
Agora, por favor, não olhes para mim assim. Nem me sorrias. Isso não. É só o que te peço. Não me iludas ainda mais. Nem me desiludas.
Deixa-me ficar com a tua inocência e ternura. É tudo o que quero guardar de ti. Tudo o que me resta.
E tu? Algum dia vais querer lembrar-te de mim?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Desculpa


Desculpa-me.
Desculpa-me por todas as vezes que te devia ter sorrido e não o fiz.
Desculpa-me por todas as vezes que te devia ter ouvido e me limitei a ignorar.
Na verdade não sei porque o fiz.
Não era o que realmente queria nem o que realmente merecias.
Porque tu mereces melhor não é?
Tu mereces sempre o melhor.
Mesmo quando tentas que te ouçam e eu, já cansada de te ouvir imploro para que eles te ouçam também e que assim te cales.
Desculpa-me.
Por não ser, nem poder vir a ser a perfeição que precisas e mereces.
Nem me atrevo a contar a alguém que és o motivo das minhas lágrimas.
Nunca me compreenderiam e muito provavelmente ainda me julgariam culpada.
E sou!
É tão verdade!
Continuo a iludir-me mesmo sabendo que nunca será possível.
Tenho cada vez mais a certeza de que nunca irei conseguir.
Mas não há nada que possa fazer não é?
Já nada mais me resta.
E agora?
Queres ser tu a pedir desculpa?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Nada!


Olho á minha volta.
Não encontro nada que indique a tua presença.
Mas eu sinto-te.
Sim, é verdade.
Imagino-te sentado a meu lado enquanto me aconchegas e me enxugas as lágrimas. Choro por ti, bem sabes.
Penso nos poucos momentos que considero bons de lembrar.
São TÃO poucos!
Tenho de revive-los vezes e vezes sem conta.
São o meu consolo quando não estás.
Porque tu nunca estás.
A tua presença continua a ser ilusória.
Muitas das vezes decepcionante.
Mas é contigo que sonho todas as noites.
É por ti que sorrio quando caminho sozinha na rua.
É por ti que me esforço para ser uma melhor pessoa.
E no fim?
O que fazes tu por mim?
NADA!
Rigorosamente nada!
Nem te atreves a olhar-me.
Não me achas digna de tal coisa não é?
Como eu te percebo.
Não te posso julgar por não me olhares.
Às vezes nem eu tenho vontade de o fazer.
Hoje por exemplo.
Ah e ontem.
Julgo que anteontem também.
Por isso não te culpo.
Por vezes dou por mim a olhar para ti e a pensar no quão inocente és.
Mas embora pareça difícil de entender, é isso que gosto em ti.
A tua inocência e pureza.
É isso.