
Estou farta. Já nada faz sentido e eu começo a sentir-me perdida. Se existe outro Mundo para além deste, é lá que estou agora. Vou flutuando enquanto te vejo sorrir a tudo e a todos. Eu, que vivo num lugar bastante mais distante, fico de fora da tua distribuição de simpatia. Já nos julgaram apaixonados. Obviamente não me conhecem. A ti muito menos. Eu continuo a defender-te enquanto me culpo da falta de sorrisos, de olhares, de simpatia, de preocupação. Da falta de mim. Já pensei que poderia passar, todas as manhãs, mais uns minutos ao espelho. Não faria milagres mas talvez recebesse mais sorrisos. Teus, de todos. Também já pensei culpar os meus pais. Não me fizeram bonita nem me educaram boa pessoa. Falharam claramente. Mas eles sabem. Aliás, não me deixam esquece-lo. Mas, afinal, o quê que ainda me prende a este lugar escuro? É simples. Cobardia. Nunca penses que é por ti que fico. Gosto de ti. Odeio-te cada vez mais. É contraditório, eu sei. Tu também o és.
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