
Nunca precisei tanto de ti. Nunca desejei que as coisas não tivessem sido assim. E, principalmente, nunca quis mudar-te. Não como quero agora. Como quero poder fazer-te perceber que só podes ter a importância que me deixares dar-te. Cada vez mais tenho a certeza que não és o menino perfeitinho que achei conhecer. Não és perfeitinho. Talvez menino continues a ser. Por vezes, olho para a nossa fotografia e desejo torná-la só minha. Mas tirar-te da fotografia não me permite tirar-te da minha vida. Não sais assim tão facilmente. Continuas a fazer o que fazias exactamente quando eras um menino perfeitinho. Chegas, sorris e abandonas-me. Deixas-me o teu sorriso e partes. Não há nada mais sensato que possas fazer. Não há nada que me magoe tanto quanto isso. Continuo a precisar de ti e a sonhar contigo. Continuas a fazer-me falta e eu continuo a não conseguir perceber-te. Quero que tudo isto acabe. Tenho medo de deixar de gostar de ti. Ultimamente já nem sorris. Nem falas. Nem me olhas. Receio que finalmente te estejas a revelar. Que este sejas, verdadeiramente, tu. Ao olhar para a fotografia, só vejo isso. Um pedaço de papel, dois rostos estranhos e dois sorrisos enganadores. Não somos tão felizes como ali aparentamos, pois não? Não ficamos tão bem juntos como dizem que ali estamos. Mas é só um pedaço de papel. Vamos envelhecer juntamente com aquele pedaço de vida. Da minha vida. Ela deteriorar-se-á assim como nós. Assim como aquilo que sinto por ti. Mas é só uma fotografia. Pode desaparecer com um rajada de vento, ser destruída pela inundação que houver aqui em casa em dia de tempestade, ficar perdida numa das gavetas. Mas eu, meu querido, não sou levada pelo vento, nem corro o risco de perder a cor com a inundação. Infelizmente, também não me posso perder numa das gavetas. Mas sorri. Posso sempre gostar um bocadinho de ti.
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