
É tarde. Mas não consigo descansar. Não consigo tirar a tua imagem do meu pensamento nem parar de me achar ridícula por tudo isto. É tarde. A televisão transmite o concerto do cantor que poderia descrever a nossa história. É tarde. E as músicas que o ouço entoar estão a deixar-me nervosa. Inquieta. Tentei mudar de canal mas mais uma vez dei por mim parada no tempo com a tua imagem insistente no meu pensamento. A música parou como que num chamamento. Chamava por mim. Por segundos senti-me perdida e sem saber onde me encontrava. Só sabia que não estavas aqui. Que nunca estiveste. A tua presença começava a tornar-se cada vez mais uma miragem. O teu sorriso uma ilusão. É tarde. Não sei porque o faço mas dei por mim sentada no chão, com o bloco de notas numa mão e a caneta na outra. Não sei porque o estou a fazer. Talvez seja uma tentativa de te tirar de mim. Da minha mente. A música voltou. Já não me faz diferença. Acho até que estou a gostar. Não sei o que se passa. Sinto-me perdida nesta escuridão em que se transformou o meu quarto. Quem dera que os meus pensamentos se apagassem tão rapidamente como a luz de presença. Com um simples toque, um gesto. Um gesto teu mudaria muita coisa. Mas é tarde.
Agora sinto que poderia ficar aqui até amanhecer. Nunca me faltariam as palavras e seria difícil esgotar as lágrimas que deslizam pelo meu rosto. Tento convencer-me de que não mereces isto, que não mereces nada daquilo que sinto por ti. Mas não tens culpa. Nunca o pediste. Mas para mim continua a ser tarde. Tarde para mudar os sentimentos e regressar ao sorriso inocente. Tarde para deixar tudo de lado e fugir para bem longe. Onde a tua imagem não me encontre nem me persiga. Onde a tua voz seja o simples ecoar das ondas a embater no rochedo. Neste momento é tudo o que quero ouvir. Já nada mais me faz falta. Nem o teu sorriso. É estranho. O teu sorriso não me faz falta. Vou ter de me habituar à ideia. A ideia de que a tua presença continuará a ser miragem, e no fundo, eu sei que nunca deixará de ser. Mas nada mais me resta. É tarde.
Agora sinto que poderia ficar aqui até amanhecer. Nunca me faltariam as palavras e seria difícil esgotar as lágrimas que deslizam pelo meu rosto. Tento convencer-me de que não mereces isto, que não mereces nada daquilo que sinto por ti. Mas não tens culpa. Nunca o pediste. Mas para mim continua a ser tarde. Tarde para mudar os sentimentos e regressar ao sorriso inocente. Tarde para deixar tudo de lado e fugir para bem longe. Onde a tua imagem não me encontre nem me persiga. Onde a tua voz seja o simples ecoar das ondas a embater no rochedo. Neste momento é tudo o que quero ouvir. Já nada mais me faz falta. Nem o teu sorriso. É estranho. O teu sorriso não me faz falta. Vou ter de me habituar à ideia. A ideia de que a tua presença continuará a ser miragem, e no fundo, eu sei que nunca deixará de ser. Mas nada mais me resta. É tarde.
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