sábado, 29 de dezembro de 2007

Acreditando


Parece que já passou uma eternidade desde que apareceste.
Foram na realidade meia dúzia de dias. Meia dúzias de complicados dias.
Não sabes como custa ver-te partir e saber que nada de mim parte contigo.
Fico a recordar-te durante todos os minutos restantes. Até alguém me chamar à realidade e eu perceber que não me adianta fazê-lo.
Tenho medo que no final não restem mais do que breves recordações. Porque tudo se transforma em brevidade cada vez que estou contigo.
Sinto-me voltar á inocência.
É isso que mais gosto em ti. Que me transmitas o que de mais puro e inocente tens. Arrumei na minha vida, espaço suficiente para caber a tua. Para caberes tu.
Sinto que foi tempo desperdiçado, mas isso só tu saberás não é? Quem mais pode decidir o nosso futuro senão tu?
Talvez seja injusto passar as decisões para ti e aguardá-las sem nada fazer.
É sim.
Confesso.
Mas se ao menos me desses um sinal…
Aí sim eu saberia o que fazer e lutaria por ti.
Acreditando. Sempre.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Dependo de ti


Consigo sentir os teus passos velozes mesmo atrás de mim.
Ouço a tua respiração ofegante.
Continuo a correr.
Corro sem rumo.
Corro como se fugisse de algo.
Como se fugisse de ti.
O caminho parece não mais ter fim apesar da velocidade com que se multiplicam os meus passos.
Não sei porque fujo.
Não sei do que fujo.
Só sei que não quero que me apanhes nesta corrida e que me passes para segundo lugar como tens feito até agora.
Porque tudo não tem passado de uma corrida não é?
No final, um de nós vai ganhar e outro perderá.
É tão previsível!
No fundo sei que não vai adiantar continuar a correr.
No final, no último instante vais cortar a meta e ter a última palavra.
Dependo de ti.
Da tua escolha.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Sorrisos


A tua imagem ocupa a minha mente.
De uma forma tão insistente que a minha memória começa a falhar.
Por vezes atraiçoa-me de tal forma que falo contigo mesmo sem lá estares.
Chama-me louca!
Apenas me recuso a aceitar que nunca estejas lá.
Que o teu corpo até possa estar mas que TU, tu não.
Estás longe.
Não consigo aproximar-me e segredar-te tudo aquilo que a minha mente esconde mas que ele quer expulsar a toda a força.
Ele, sim, o meu coração que quase me arranca o peito numa dor constante cada vez que não te sinto.
Porque nunca lá estás.
Por vezes surges do nada, sorris e voltas a esconder-te.
Fechas-te na tua carapaçazinha de menino ingénuo.
Não queres crescer e perceber a crueldade do mundo que te rodeia.
Não queres, mas devias.
Porque já não podes esconder-te por muito mais tempo.
Um dia, vais libertar-te, crescer e sorrir.
Sorrir com a mesma sinceridade com que sempre o fizeste.
Mas agora vais lá estar.
E eu, vou poder contar-te os meus segredos mais bem guardados.
Porque quando assim for, finalmente poderei ser eu.
A menina do olhar envergonhado, a que te observa com ternura por detrás da sua inocência e sorri.
Simplesmente sorri.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

É tarde


É tarde. Mas não consigo descansar. Não consigo tirar a tua imagem do meu pensamento nem parar de me achar ridícula por tudo isto. É tarde. A televisão transmite o concerto do cantor que poderia descrever a nossa história. É tarde. E as músicas que o ouço entoar estão a deixar-me nervosa. Inquieta. Tentei mudar de canal mas mais uma vez dei por mim parada no tempo com a tua imagem insistente no meu pensamento. A música parou como que num chamamento. Chamava por mim. Por segundos senti-me perdida e sem saber onde me encontrava. Só sabia que não estavas aqui. Que nunca estiveste. A tua presença começava a tornar-se cada vez mais uma miragem. O teu sorriso uma ilusão. É tarde. Não sei porque o faço mas dei por mim sentada no chão, com o bloco de notas numa mão e a caneta na outra. Não sei porque o estou a fazer. Talvez seja uma tentativa de te tirar de mim. Da minha mente. A música voltou. Já não me faz diferença. Acho até que estou a gostar. Não sei o que se passa. Sinto-me perdida nesta escuridão em que se transformou o meu quarto. Quem dera que os meus pensamentos se apagassem tão rapidamente como a luz de presença. Com um simples toque, um gesto. Um gesto teu mudaria muita coisa. Mas é tarde.

Agora sinto que poderia ficar aqui até amanhecer. Nunca me faltariam as palavras e seria difícil esgotar as lágrimas que deslizam pelo meu rosto. Tento convencer-me de que não mereces isto, que não mereces nada daquilo que sinto por ti. Mas não tens culpa. Nunca o pediste. Mas para mim continua a ser tarde. Tarde para mudar os sentimentos e regressar ao sorriso inocente. Tarde para deixar tudo de lado e fugir para bem longe. Onde a tua imagem não me encontre nem me persiga. Onde a tua voz seja o simples ecoar das ondas a embater no rochedo. Neste momento é tudo o que quero ouvir. Já nada mais me faz falta. Nem o teu sorriso. É estranho. O teu sorriso não me faz falta. Vou ter de me habituar à ideia. A ideia de que a tua presença continuará a ser miragem, e no fundo, eu sei que nunca deixará de ser. Mas nada mais me resta. É tarde.