
Tenho medo.Que um dia, te aproveites do meu sono mais profundo para fugir,para me deixares aqui, embrulhada nos cobertores de onde não conseguirei sair caso isso aconteça. Já fizeste questão de me dizer,enquanto discutíamos,que não sabias porque continuavas comigo. Eu sei, meu amor. Não terás mais ninguém que te ampare as quedas ou até mesmo que caia em vez de ti. Não terás ninguém que te segure a mão antes de uma operação, e tu sabes que ainda te faltam duas. Não terás ninguém que te enxugue as lágrimas, enquanto tu, envolvido pelo álcool, e num rasgo de sinceridade, choras por ela. E me fazes acreditar no quão bonita ela é, e boa pessoa, e inteligente, e simpática, e como tem o sorriso mais bonito do Mundo, e olhos de um azul incomparável, enquanto me falas também do seu cabelo loiro e sedoso. Eu abraço-te e digo que vai ficar tudo bem, que talvez um dia ela te aceite de volta e aí, tu sairias a correr dos meus braços para os dela e lá ficarias até que ela te mandasse embora com a desculpa de que não és tudo o que ela precisa para ser feliz. Outra vez. E eu, acordada pelo teu telefonema e voz rouca, que me deixa adivinhar as horas de choro que antecederam o teu pedido de ajuda, levanto-me num ápice, visto a primeira coisa que encontro, pego na chave do carro e saio a correr para te ir buscar ao sítio onde sempre te encontro em momentos como este. Peço-te que entres no carro, está frio e concerteza não queres ficar doente. "Olha que depois não esperes que cuide de ti. Vá lá." Fazemos a viagem sem proferir uma única palavra. Esta noite dormes cá em casa, e na próxima, e na próxima. Pelo menos até ela te querer de volta. Outra vez.
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