quinta-feira, 15 de maio de 2008

Todos os cantos cheiram a ti.


Todos os cantos cheiram a ti. A rua, as casas, até a minha vida tem o teu perfume. Sempre achei que fosse mito, e confesso, até ridiculo, quando ouvia alguém dizer ‘Chateado ficas mais bonito’. Deixei de o fazer. Chateado, triste, o que quer que seja oposto a boa disposição faz-te parecer melhor. Até sorris, imagina. Por vezes penso que gosto da imagem que criei de ti e não daquilo que és na realidade. Aquela coisa da apreensão do objecto através da construção de uma imagem partindo das suas caracteristicas, sabes? Sou tão má a interpretar-te como sou a Filosofia. Por vezes procuro-te por cada espacinho vago que haja na rua, outras, rezo a todos os santos em que não acredito só para que não apareças. Ver-te, não significa mais do que não te ter. De que na realidade nunca vais ser mais do que isso. Hoje o teu cheiro era mais intenso. Pela primeira vez invertemos papéis. Desta vez fui eu a descarregar a minha frustração em ti. Se fores capaz, desculpa-me.
Parece que conseguiste.Perdoar-me e aceitar-me. Finalmente senti isso. Não sei durante quanto tempo durará.A preocupação, o sorriso e o sorriso seguinte. Hoje, mais do que nunca preciso de ti. De te sentir.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Fotografia


Nunca precisei tanto de ti. Nunca desejei que as coisas não tivessem sido assim. E, principalmente, nunca quis mudar-te. Não como quero agora. Como quero poder fazer-te perceber que só podes ter a importância que me deixares dar-te. Cada vez mais tenho a certeza que não és o menino perfeitinho que achei conhecer. Não és perfeitinho. Talvez menino continues a ser. Por vezes, olho para a nossa fotografia e desejo torná-la só minha. Mas tirar-te da fotografia não me permite tirar-te da minha vida. Não sais assim tão facilmente. Continuas a fazer o que fazias exactamente quando eras um menino perfeitinho. Chegas, sorris e abandonas-me. Deixas-me o teu sorriso e partes. Não há nada mais sensato que possas fazer. Não há nada que me magoe tanto quanto isso. Continuo a precisar de ti e a sonhar contigo. Continuas a fazer-me falta e eu continuo a não conseguir perceber-te. Quero que tudo isto acabe. Tenho medo de deixar de gostar de ti. Ultimamente já nem sorris. Nem falas. Nem me olhas. Receio que finalmente te estejas a revelar. Que este sejas, verdadeiramente, tu. Ao olhar para a fotografia, só vejo isso. Um pedaço de papel, dois rostos estranhos e dois sorrisos enganadores. Não somos tão felizes como ali aparentamos, pois não? Não ficamos tão bem juntos como dizem que ali estamos. Mas é só um pedaço de papel. Vamos envelhecer juntamente com aquele pedaço de vida. Da minha vida. Ela deteriorar-se-á assim como nós. Assim como aquilo que sinto por ti. Mas é só uma fotografia. Pode desaparecer com um rajada de vento, ser destruída pela inundação que houver aqui em casa em dia de tempestade, ficar perdida numa das gavetas. Mas eu, meu querido, não sou levada pelo vento, nem corro o risco de perder a cor com a inundação. Infelizmente, também não me posso perder numa das gavetas. Mas sorri. Posso sempre gostar um bocadinho de ti.